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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sabe quando você é uma música?



     Acho que todo mundo já teve a seguinte sensação ao escutar uma música : " Nossa,essa é a minha cara! Foi feita pra mim,não é possível"...". E assim você acaba elegendo a tal como sua música favorita por uma semana,um mês,um ano ou pra sempre. É díficil esse "pra sempre". Nós mudamos tanto e pensamos em tantas coisas diferentes. Passamos por coisas diferentes e consequentemente reagimos diferentemente. Por isso, sempre estamos a eleger uma música para chamar de "nossa".
   Atualmente,a minha é "Ela vai dançar" ,na voz de Fábio Trummer,da Banda Eddie. A letra fala de uma mulher que vai dançar a noite inteira,que vai cantar todas as músicas pra desfazer a dor,mas sabe que essa dor vai renascer. Fala do balanço,fala da leveza e do encantamento do amor que acaba se misturando com a dor,inevitavelmente. Mas mesmo assim,parece que essa música mistura todos os sentimentos controversos de um amor que tem grande chance de não dar certo ou que nem chegará a acontecer.
   Mesmo não estando apaixonada...bom,o amor faz parte de mim . Pra ser sincera,eu nunca escapo dele,por isso essa música é tão minha. Posso sofrer o quanto for,vou estar sempre lá,desfazendo e refazendo a dor,que na realidade é o amor. O final tem uma citação assim : "Seu rapaz não lhe procura mais,seu rapaz não lhe procura mais." . Bom,vou continuar desfazendo a dor e refazendo,digo outra vez. Não me importo. Quero me sentir viva. Só o amor nos proporciona isso.
      A mulher refaz essa dor toda noite pra manter esse amor vivo. Também é interessante observar que foram dois homens que compuseram essa música e ela ficou extremamente sensível,delicada e aplicável a qualquer alma feminina,como a minha. Pois é, pelo menos por enquanto,roubei essa música pra mim.

Eis a letra da música:

Olha só essa menina que balança
Olha só... Olha só...
Ela vai dançar a noite inteira
Ela vai cantar todas as músicas
Pra desfazer...
Pra desfazer a dor, e refazê-la
Quando a nossa flor se abrir inteira
Quando a nossa cor era vermelha
Pra se fazer do amor
A vida inteira
E a vida inteira amor... Satisfazê-la
Olha só essa menina que balança e dança
Olha só... Olha só...
Ela vai dançar a noite inteira
Ela vai cantar todas as músicas
Pra desfazer...
(Dor amor...)
Pra desfazer a dor, e refazê-la
Quando a nossa flor se abrir inteira
Quando a nossa cor era vermelha
Pra se fazer do amor
Da vida inteira
(Dor amor...)
E a vida inteira amor... Satisfazê-la
Pra desfazer e refazê-la...
Satisfazendo a dor
Da quarta-feira
"Seu rapaz não lhe procura mais
Seu rapaz não lhe procura mais"



Duda Bastos

Eu quero o cabelo vermelho da Lee !


      Sábado eu estava num tédio só! Fui ver televisão para aumentar,claro! Mas quando eu liguei lá no 13 estava passando um programa com a danada da Rita Lee. Assim,ela salvou minha noite. Fiquei lá,paradinha por quase duas horas só esperando os comentários,as músicas e as palhaçadas de Rita .
      Vejo em Rita Lee um símbolo de dignidade. Sim,de dignidade. Ela foi a responsável por libertar várias mulheres delas mesmas e o faz até hoje. Ela ousou. E o que era ousar lá na década de 70,80,no nosso país patriarcal e moralista? Era ter coragem! E isso ela sempre teve ! Coragem de ser mulher em uma sociedade machista...mais do que “ser mulher” , ela se “mostrou mulher” para todos,e fez com que um “bichinho do feminismo” mordesse várias almas.
     É incrível o número de mulheres que tem Rita como um modelo de força,sucesso e liberdade. Uma mulher que se intitula “ovelha negra”conseguiu isso. Mas como? Apenas sendo como queria ser,apenas se assumindo e mostrando o quanto é lindo ter a liberdade de viver. Escrever o que sente,vestir o que quer,pintar seus cabelos de vermelho aos 64 anos de vida, agir do modo que deseja e ter orgulho de ser mulher,seja cantando “Pagu” ou “Desculpa o auê” .
      Hoje,mesmo só com dezoito anos e conhecendo muito pouco da carreira dela, vejo em Lee uma inspiração. Se o feminismo ganhou mais um pouco de espaço na sociedade,se a mulher hoje tem mais dignidade,devemos um pouco disso a ela. Procuro enxergar outra vertente em Rita que me encanta e me serve de exemplo.

      Numa sociedade tão exploradora dos padrões de beleza,comportamento e blá blá blá, vejo que Lee conseguiu ser maravilhosa quebrando vários deles. Vejo que é possível e que é incrível não pertencer a todos esses padrões. Bom mesmo é curtir a vida e deixar a vida nos curtir. É isso que Rita Lee e suas músicas me transmitem. Acima de tudo,uma mensagem de força. Refleti sobre tudo isso por uns três dias e espero que alguma coisa boa tenha ficado em mim,que sirva para eu aplicar um pouco na vida. Mas agora,nesse momento,eu quero uma coisa: aquele maravilhoso e estupendo cabelo vermelho da Lee !


Duda Bastos

I do it for love

      Hoje eu estava editando umas fotografias que fiz, quando de repente me veio à cabeça uma música da Sara Bareilles que tem um refrão bem pegajoso mas gostoso de se repetir. Ela repete "Love, love, love..." incansavelmente. 
      Ouvindo a música, percebi que tudo o que importa nessa vida realmente é o amor.  O amor que doamos e recebemos, esse cilo totalmente vicioso. Esse amor nos faz ter esperanças. Depositamos toda aquela expectativa de que doando, também vamos receber. E mesmo que não recebamos, nos entregamos completamente. E essa entrega é que faz a vida ser intensa, cheia de sentimentos, dramas e emoções. É tudo culpa do amor. O amor pra mim é o princípio. 
       "A única coisa que eu poderia precisar, uma única coisa boa que valeria a pena lutar. Eu faço isso por amor. Você só vai conseguir obter o que você dá, então dê amor."
Esse é o meu trecho preferido. Abaixo segue o clipe acústico. É uma levada bem tranquila e gostosa de se ouvir para relaxar. Espero que vocês curtam e saiam espalhando corações por aí. Um ótimo fim de dia!




Débora Rosa

domingo, 22 de julho de 2012

Salve música, salve Pernambuco !





       Quando vou conversar sobre música com alguém sempre percebo muito “saudosismo”  nas palavras ditas. Coisas do tipo: “ ah,não se fazem mais músicas com antigamente” ou “ hoje não tem nada de bom para se escutar,nasci na época errada”. Entretando,percebo no nosso estado uma efervescência de música boa! Cada dia que procuro mais artistas pernambucanos,mais fico encantada.
       Tudo começou com a reunião de amigos que queriam fazer algo diferente,que queriam ter algo da própia terra pra escutar.Não queriam mais só escutar um rock inglês melancólico ou as paradas de sucesso do sudeste brasileiro. Assim surgiu o movimento “Mague beat” que encanta ouvidos até hoje e é considerado Patrimônio Imaterial do Estado .  
      Surgido na década de 90,misturou maracatu,rock,hip hop e música eletrônica.O própio nome “Mangue beat” é uma metáfora,pois compara a diversidade musical que queria ser criada à riqueza e pluraridade do sistema ecológico do mangue. O resultado foi estrondoso! Uma música diferente que ia ser reconhecida no mundo inteiro. Chico Science, Fred 04 , Otto e vários outros se uniram em um grande movimento que parecia uma grande festa,uma grande ciranda. Surpreendeu ao ganhar o público e também ao fazer várias denúncias sociais.

      Não há pernambucano que fique parado ao ouvir “Quando a maré encher,quando a maré encher! Tomar banho de canal quando a maré encher!” . Pernambuco estava se tornando um grande centro musical. Bom,isso já aconteceu faz um tempo...mas e agora?  Como anda esse cenário? Como eu já tinha dito antes,”uma efervescência de música boa”!

        No momento,escuto sem parar a Banda Eddie! Surgiu junto com os percurssores do “Manguebeat”,mas estorou nos últimos cinco anos. Com uma sonoridade bem descontraída e flutuante,mistura frevo,rock,samba,reggae e dub pra fazer o som pipocante que faz!  Impossível escutar Eddie e não se deixar levar pelo seu ritmo massa.
      Ano  passado lançou seu mais recente albúm,o Veraneio,que é excelente! Tem participação de Otto,Lirinha ( ex Cordel do fogo encantado ) e Dj Dolores. Cada faixa é singular . Sou apaixonada por “Ela vai dançar” , “ O saldo da glória” e “Casa de Marimbondo”. Realmente,um disco que vale a pena ser escutado.

        Além da novidade,a discografia da Banda Eddie é muito rica. Tem sucessos como “ O Baile Betinha”, “ Bairro novo/ casa caiada” , “Eu tô cansado dessa merda”  e “ Desequilíbrio”. Sem dúvida,um grande patrimônio cultural do nosso estado. Um orgulho para todos os pernambucanos e para todos os brasileiros.

Duda  Bastos